Gemis participa do projeto Conexões, em Cachoeirinha

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Foto: Projeto Conexões


Nesta terça-feira (6), a integrante do Gemis Débora Fogliatto foi a Cachoeirinha dialogar com estudantes de Ensino Médio da rede pública. O encontro foi promovido pelo projeto Conexões, que durante dez dias leva temas diversos a serem debatidos com os jovens da cidade da região metropolitana. Junto com Nanni Rios, do Programa Gay, Débora abordou temas referentes a gênero e sexualidade. Confira o relato da jornalista:


"Foi muito rica a experiência em Cachoeirinha. Falamos pra jovens de classes populares, de ensino médio em colégios públicos. Eram jovens de 14 a 17 anos, uma faixa etária pra qual eu nunca tinha falado antes. Comecei com alguns conceitos, sobre diferença entre identidade de gênero e orientação sexual, e dei alguns exemplos de notícias. Percebi logo que abriu pras perguntas que eles não se interessaram muito pelas questões relativas a transexuais e travestis (logo entendi que provavelmente não conhecem nenhum[a]. Que as pessoas trans não estão no colégio e as que estão, não se assumiram).

Levei como um dos exemplos o caso do casamento em um CTG em Uruguaiana (onde ia acontecer um casamento coletivo e, dentre os casais, estava um de lésbicas), e a Nanni falou sobre a experiência dela e propôs reflexões sobre preconceitos e conceitos de normalidade. Logo que abriu pra perguntas, vários levantaram as mãos, não teve aquele silêncio constrangedor. O primeiro a falar foi um menino gay assumido de 16 anos. Ele começou dizendo que era gay e logo disse: "mas eu acho que não preciso ficar me mostrando em todos os espaços e que ninguém é obrigado a me aceitar". Fiquei triste, e falei pra ele que tinha ficado bem triste de ouvir aquilo. Disse que devia acontecer o contrário, as pessoas que deviam dizer "ele é gay e eu não tenho nada a ver com isso" e não ele devia se munir pra se proteger, dizendo aceitar o preconceito dos outros. Falei que ele não deve aceitar o preconceito, que os outros que precisam sim aceitar ele. Ele disse que tinha medo. Falei que entendia, que dá medo sim, e a Nanni falou que quanto mais a gente se mostrar e "botar a cara no sol", mais a sociedade vai entender que as pessoas homossexuais tão em todos os lugares, que não são estranhas ou anormais, e cada vez mais vão nos aceitar. Dissemos pra ele se mostrar até o máximo que for seguro pra vida e integridade dele, claro, mas não deixar que digam pra ele que o que ele é não é normal.

Depois algumas pessoas questionaram a questão do CTG, dizendo que "não precisava" ter um casamento que incluísse um casal de lésbicas num centro de tradições, essas coisas. Eu rebati que o próprio patrão do local que tinha oferecido e expliquei que era um casamento coletivo geral, e não um casamento gay especificamente. Então, quando já tinha acabado o tempo de tanto que eles falaram, os dois professores pediram pra falar, nos parabenizaram e disseram que essas questões são muito importantes de serem abordadas, mas que é muito difícil falar disso na escola. Que muitos professores mesmo não aceitam, que fazem piadas sobre as crianças entre eles, que são preconceituosos e que é difícil, mas eles tentam falar sobre gênero e sexualidade. A professora de história disse que sempre buscava trabalhar isso, e que por isso quis levar a turma lá. Quase chorei gente, sério. Ter professores assim no ensino médio público é demais, sabe. Dá muita esperança."

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