A importância do tema da redação do Enem: violência contra a mulher

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Foto: MEC/Facebook
Em um momento em que o país encara o crescimento do conservadorismo, o Ministério da Educação mostra, a partir desse tema de redação, o quanto é importante SIM que se discuta gênero nas escolas. A violência contra a mulher não é mito, não é "invenção de feministas", é uma realidade no Brasil. Pesquisa do Ipea estima que, entre 2009 e 2011, o Brasil registrou 16,9 mil feminicídios, ou seja, mulheres que foram mortas simplesmente por "ser mulher"-- na maioria das vezes, por parceiros ou ex-parceiros. A discussão sobre esses dados assustadores precisa ser levada para dentro das escolas e para a mídia brasileira que, com o anúncio do tema, também se viu obrigada a falar do assunto.

A violência contra as mulheres persiste porque é normalizada em diferentes níveis. Quando se fala em cultura do estupro, não significa que alguém diga aos homens "vá lá e estupre" (embora o estupro "de correção" seja uma prática aceita, pregada e aplicável para alguns), mas que o assédio a mulheres e meninas na rua é normalizado na sociedade, que defende que "o homem é assim"; que é considerado normal uma mulher ser "devorada" dos pés a cabeça pelos olhares de homens dentro de um transporte público; que é considerado normal e ainda romântico uma relação entre um homem e uma jovem menina "porque a mulher amadurece mais cedo"; que são considerados normais e naturais diversas formas de violência e abuso.

 Essa violência permanecerá endêmica e não serão efetivas as medidas que (muito pouco) se tomam em caráter de punição enquanto feminicídio continuar a ser chamado de "crime passional" e enquanto o desrespeito às mulheres não for apontado, problematizado e corrigido em todos os lugares em que é naturalizado em nome da perpetuação do homem dominante. É por isso que o Gemis saúda a iniciativa do tema de redação, que faz com que as professoras e professores do país percebam que a violência contra a mulher deve sim ser debatida em salas de aula.

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