Gemis Responde: transgênicos e transgêneros - uma comparação absurda

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O espaço de Opinião do Jornal do Comércio foi utilizado como um desserviço de conceitos no dia 2 de julho, com o artigo "Transgêneros e transgênicos".
Qual a relação entre os alimentos transgênicos com as pessoas transgêneras e 'assexualidade' que está por vir na sociedade, conforme a autora? Não entendemos. Fora o prefixo das duas palavras, não há relação a ser estabelecida.


Uma comparação absurda

Grupo Gênero, Mídia e Sexualidade (Gemis)
O espaço de Opinião do Jornal do Comércio foi utilizado como um desserviço de conceitos no dia 2 de julho, com o artigo "Transgêneros e transgênicos". No texto, há uma clara confusão entre identidade de gênero e sexualidade, assim como o consumo de alimentos transgênicos e a vivência de pessoas transgêneras. A fim de se posicionar contra o ensino de gênero e sexualidade nas escolas, a psicóloga Anna Maria Petrone Pinho afirma que as "bases curriculares" são desnecessárias para a redução dos preconceitos.

Ora, as instituições de ensino são espaços de socialização, na qual se aprende, sim, que a norma de gênero é seguir as atribuições sociais destinadas àqueles que foram designados como homens e mulheres ao nascer e que a única sexualidade legítima é a heterossexual. E o que não está dentre estes padrões é motivo para discriminação. Não por acaso, a evasão escolar de pessoas transexuais e travestis é elevadíssima. Discutir gênero e sexualidade na escola e nas universidades é uma das formas de garantir o respeito à diversidade.

Mas qual a relação entre os alimentos transgênicos com as pessoas transgêneras e "assexualidade" que está por vir na sociedade, conforme a autora? Não entendemos. Fora o prefixo das duas palavras, não há relação a ser estabelecida. A autora confunde termos: transgênero é quem não se identifica com o gênero designado ao nascer. Transgênicos são alimentos modificados. Assexuado é quem não tem relações sexuais com outras pessoas, independentemente do gênero. Precisamos discutir gênero e sexualidade no ensino, mas também na mídia e em todas as instâncias de poder da sociedade. O silenciamento do tema apenas propaga a desinformação. Discutir o assunto com seriedade evitaria uma série de achismos e opiniões equivocadas sendo disseminadas pelos meios de comunicação, que, ao não esclarecer e informar o seu leitor, acabam por incentivar e reproduzir a intolerância e o preconceito.

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