Porque todo corpo é político

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Para muito além de uma coleção de órgãos, o corpo constitui-se em um vetor de individualização, encerrando em última instância aquilo que poderíamos pensar como sendo um "eu". Simultaneamente, em contrapartida, o corpo também corresponde àquilo que nos coloca em contato com o próximo, àquilo que é, desde um primeiro instante, observado, avaliado, medido e por meio do qual somos reconhecidos. O imperativo da forma exige que o corpo mercadoria seja exposto mas, apesar disso, exige do soma alguns pontos "inquestionáveis": a magreza, a juventude, a sexualidade. A nudez comercial e erótica (dentro dos ditames hedonistas) é amplamente festejada ao passo que a nudez política tende a ser recalcada sob o signo do nonsense. "Nós e a nudez", texto de Marcia Tiburi publicado em Zero Hora, nos convida a pensar sobre essa questão a partir das três mulheres que, nuas, andaram pela capital gaúcha. E nós, do Gemis, às vésperas da décima oitava Parada Livre de Porto Alegre e da oitava Marcha Lésbica, achamos fundamental lembrar que todo corpo é político o que, aliás, é o slogan da edição desse ano do evento. Coloque seu corpo na rua e coloque seus questionamentos em pauta. Enfim, fica o convite à leitura, à reflexão e aos eventos dessa semana.



 


texto: Felipe Viero

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