Celebrando Butch: uma coletânea fotográfica poderosa sobre masculinidade feminina

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Texto: Everyday Feminism
Tradução: Carol Maia
Todas as fotos: Meg Allen


Em um mundo em que gênero é um binário, rigidamente reforçado, que prevê homem e mulher, a masculinidade feminina pode deixar muitas pessoas desconfortáveis – pessoas que então tornam desconfortável e mesmo perigoso para as pessoas butch simplesmente serem elas mesmas.

Apesar do assédio e da violência enfrentadas por pessoas butch, [a categoria] butch está sendo orgulhosamente reivindicada para descrever com maior precisão as pessoas que se identificam com e que apresentam masculinidade feminina.



BUTCH, de Meg Allen, é uma coletânea fotográfica bonita, interseccional e reveladora que apresenta dezenas de indivíduos butch que mostram a amplitude, fluidez e subjetividade da masculinidade feminina.

Como Meg Allen descreve, “BUTCH é uma celebração de quem escolhe existir e se identificar fora desse binário que nunca autorizou nenhum intercruzamento. BUTCH está convidando espectadorxs para verem as vidas privadas da masculinidade feminina e sugerindo uma resiliência na insistência da natureza de que há mais profundidade na masculinidade e na feminilidade do que as normas da sociedade se preocupam em ver.

Quem está policiando a apresentação de gênero, e por quê? O mundo da moda tem se perguntado a mesma questão por eras. Estamos prontxs para as respostas agora? É inegável que nascemos com os órgãos sexuais que nascemos, mas por que nos sentimos tão ameaçadxs pelo que outrxs escolhem reivindicar como a sua apresentação de gênero? Estamos prontxs para essas explicações? Ou temos mais medo da pergunta?”

Convidamos você a considerar essas questões, conforme você confere esses maravilhosos retratos de caminhoneiras, sapatões, mulheres-macho, maridas, baby butches, jovens bofinhos, androginia e genderqueers.



Para ver ainda mais fotos nessa coletânea incrível, visite o site de Meg Allen aqui.

 Meg Allen nasceu em 1978 em São Francisco, Califórnia. Sempre uma observadora atenta, ela ficou hipnotizada pela quantidade de emoção que formas, linhas e texturas podiam transmitir em tudo, de pessoas a prédios e paisagens. Em 1993, ela começou a fotografar o que via para investigar e documentar a beleza enigmática dos momentos simples. Hoje ela fotografa qualquer coisa em que ela possa por as mãos. A variação permite que ela afine sua habilidade e cria uma fusão do comum com o inesperado. Visite seu website ou siga-a no Twitter @megallenstudio. 
 
Mas... o que é butch afinal?
por Fernanda Nascimento

Butch pode ser definido como uma lésbica que adota códigos diferentes daqueles que geralmente são atribuídos à identidade de gênero feminina. Frequentemente designadas como masculinizadas, adotam roupas, gestuais, posturas e atitudes atribuídos ao gênero masculino. Pode adotar algumas posturas consideradas masculinas ou praticamente se travestir, depende de seu comportamento. “A lésbica masculina, herdeira da invertida autêntica, tem sido a representação dominante do lesbianismo, consagrada no arquétipo da butch, figura particularmente popular durante a década de 50 entre as jovens subculturas lésbicas da classe operária, que se contrapõe à figura da femme, a mulher feminina, que nem sempre se encara a si própria como lésbica” (BRANDÃO, 2010, p. 320). Brandão (2010) também aponta que um termo similar à butch, em português, seria ‘caminhoneira’. A autora afirma ainda que “a butch tem simbolizado a dissidência sexual das mulheres que preferem mulheres como parceiras amorosas e sexuais e a recusa de conformidade aos papéis tradicionalmente reservados à mulher” (BRANDÃO, 2010, p. 320).*


*BRANDAO, Ana Maria. Da sodomita à lésbica: o género nas representações do homo-erotismo feminino. Análise Social[online]. 2010, n.195, pp. 307-327. 

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