Ministra dos Direitos Humanos: "Usar religião para discriminar e produzir violência é absurdo"

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Foto: Felipe Canova/SRI-PR

A ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, esteve em Porto Alegre nesta terça-feira, dia 23. Ela está percorrendo os estados do Brasil com a caravana de educação em direitos humanos. Na capital gaúcha, ela conversou com ONGs e entidades sobre a ligação dos direitos humanos com religião e as formas como todas as opressões e discriminações estão conectadas.

Ela falou sobre o recente episódio envolvendo o goleiro Aranha, do Santos, que foi chamado de "macaco" pela torcida do Grêmio e, no jogo seguinte, os xingamentos foram substituídos por vaias ou gritos de "veado":

"Temos o costume de fazer gavetas, como se a questão LGBT não tivesse ligação com racismo, machismo, direito das crianças e idosos. O Aranha quando não foi mais chamado de macaco, foi chamado de veado. Numa demonstração claríssima de que direitos humanos são relacionadas a todas essas questões, oriundos da velha disputa de poder. Um indivíduo ou segmento se acha com mais direitos do que os outros, exerce esse direito discriminando, segregando e violentando. Isso faz que com a violência seja o espaço do exercício do poder. Só se faz a implantação dessa visão de mundo também com a disputa de poder. Temas de direitos humanos acabam vindo no momento eleitoral."

A ministra também comentou a ligação das religiões com as pautas LGBT e o episódio em que o CTG que receberia um casamento coletivo foi incendiado, em Livramento:

"Todas as religiões pregam amor e paz, então usar religião para discriminar e produzir violência é absurdo. É mais uma demonstração clara de se 'travestir' a guerra por espaço de poder com religião. O nosso direito é o de qualquer um que seja violado, e a solução também é coletiva, interligando. No incêndio criminoso do CTG entre as pessoas presas era uma negra, no caso do Aranha quem ficou conhecida era uma mulher. Precisa haver mais essa ligação".

Ideli ainda defendeu a criminalização da homofobia, mas disse que é preciso mais do que leis para que se exercitem os direitos das minorias:

"Estes temas que estão colocados (homofobia e racismo) tornam absolutamente necessário que a gente fortaleça a rede para poder agir em conjunto, com maior efetividade e fazendo avançar as políticas públicas e fortalecendo aquilo que chamamos de constrangimento social. Temos que ter na sociedade também a consciência de que não podemos ser racistas, machistas, homofóbicos".

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