Grupo Gênero, Mídia e Sexualidade - Gemis tem lançamento em Porto Alegre

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Foto: Camila Cunha/Gemis

Foi lançado ontem, 9 de setembro, o grupo de ação e debate Gênero, Mídia e Sexualidade - Gemis. O evento, realizado no Museu de Direitos Humanos do Mercosul, em Porto Alegre, reuniu jornalistas, estudantes, professores universitários e militantes em uma discussão sobre o tratamento da mídia destinado à população LGBT, foco de atuação do grupo. Durante a atividade, a jornalista e mestranda em Comunicação Social da PUCRS Fernanda Nascimento, uma das fundadoras da iniciativa, relatou a trajetória e os objetivos do Gemis, seguida por palestra do juiz federal e professor de direito da Uniritter, Roger Raupp Rios, pesquisador em  direitos humanos, direito da antidiscriminação, direitos sexuais, entre outros temas.

Criado em abril deste ano, o grupo se propõe a repensar as narrativas de veículos de comunicação, que muitas vezes reproduzem o preconceito em matérias e reportagens. Para Fernanda Nascimento, o Gemis deve atuar como um auxiliar no combate ao preconceito, caminho já trilhado com empenho por outras instituições reconhecidamente representativas da população LGBT. "Não pensamos que a mídia é a única esfera que reproduz preconceito, é só uma das esferas onde determinadas identidades de gênero e orientações sexuais são consideradas 'melhores que outras'", disse Fernanda.

A jornalista acrescenta que para além das pessoas já sensíveis ao tema, o propósito do Gemis é alcançar outros profissionais não envolvidos diretamente na questão. Esse trabalho deve ser feito através de visitas às redações jornalísticas, palestras e oficinas em universidades e ainda está em fase de planejamento.

Em sua palestra o juiz e professor Roger Raupp Rios falou sobre as relações entre democracia, mídia e diversidade sexual, contextualizando diferentes períodos e conceitos dos três temas. Mais recentemente, no que situa como democracia pós II Guerra Mundial, ganha mais força a ideia de direitos, diversidade e mídia, com o surgimento de movimentos de resistência entre as minoriais sociais e demanda destas por voz nos veículos de comunicação, escolas, saúde e  outros segmentos da sociedade. "A partir disso (da II Guerra Mundial) a liberdade de imprensa não é mais  sobre circulação de jornais no mercado, mas sobre igualdade de oportunidades no receber, buscar e divulgar informações", destacou Raupp.

Exemplificando com o fato de que o volume de notícias sobre violência homofóbica ainda são escassas entre todas as produzidas sobre os LGBT, Raupp destaca que o tratamento da mídia dado a essa parcela da população é insuficiente, desigual e parcial, com silenciamento de vítimas, abordagens repetitivas e superficiais. Nesse contexto, o juiz celebrou a iniciativa do Gemis em tentar mudar esse panorama.
Foto: Camila Cunha/Gemis

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